
O Amor Entre Estações
Em um mundo dividido pelo dever, o amor proibido é a única coisa que pode salvar as estações.
by Hilary Pedroso De Souza
Quatro reinos. Quatro herdeiros. Uma escolha impossível. Por mil anos, os Quatro Reinos Sazonais existiram em uma harmonia frágil, governados por um pacto antigo: herdeiros devem se casar para garantir alianças. A Princesa Haelina do Verão está ligada ao constante Príncipe do Outono. O Príncipe Hyron do Inverno está destinado à radiante Princesa da Primavera. Eles nasceram para governar, não para amar. Mas, enquanto treinam juntos na prestigiada Academia das Estações, uma faísca proibida se acende. Haelina e Hyron sentem-se atraídos um pelo outro com uma força magnética que desafia suas coroas. A conexão deles é mais do que uma simples traição; é um catalisador. Quando estão juntos, o mundo natural começa a se fragmentar. A neve cai em praias ensolaradas e flores douradas de verão perfuram o permafrost do norte. Enquanto uma profecia esquecida ressurge, os dois devem decidir se o seu amor é um prenúncio de destruição ou a chave para um equilíbrio há muito perdido. Com seus melhores amigos no caminho de seus corações e o destino do mundo dependendo de sua obediência, Haelina e Hyron devem escolher entre as vidas que lhes foram prometidas e o amor sem o qual não podem viver. Para salvar seus reinos, eles podem ter que quebrar o mundo.
- Romance
- Fantasy
- Young Adult
- Chosen One
- Contemporary Romance
- Friends to Lovers
O Peso do Ouro e do Vidro
A primeira neve do inverno caiu silenciosamente sobre a Academia das Estações.
Haelina estava parada junto à grande janela da Biblioteca do Solstício, observando os flocos brancos flutuarem do céu escuro. O inverno sempre fora sua estação favorita, embora ela pertencesse ao Verão. Havia algo de pacífico na neve. Algo que fazia o mundo parecer mais suave. Como uma princesa do Reino do Verão, ela estava acostumada ao calor implacável do Solstício Eterno, onde o sol nunca se punha de verdade e o calor era um companheiro pesado e constante. Aqui, o frescor do vidro contra as pontas de seus dedos era um alívio silencioso, uma indulgência rara que ela sabia que logo teria de abandonar.
A graduação estava chegando. A cada dia que passava, as pesadas paredes de pedra da Academia pareciam menos um santuário e mais uma gaiola lindamente construída. Assim que cruzassem o pátio para receber seus selos reais, sua liberdade desapareceria. A coroa dourada do Verão não seria mais uma promessa distante; ela se tornaria um peso que ela teria de carregar. E com essa coroa vinha Jace.
Ela se casaria com Jace Ashwood. O futuro governante do Outono. Uma união de fogo e equilíbrio, cuidadosamente negociada antes mesmo de qualquer um deles ter dado o primeiro suspiro.
— Você sempre olha para a neve como se fosse um milagre.
Ela sorriu antes mesmo de se virar. Ela conhecia aquela voz.
Hyron.
Ele caminhou em sua direção com as mãos nos bolsos e aquele sorriso familiar que sempre fazia o coração dela bater um pouco mais rápido. Sua pele pálida parecia captar a luz fraca das lanternas da biblioteca, e seu cabelo loiro escuro estava levemente bagunçado, como se ele tivesse acabado de vir dos campos de treinamento.
— Talvez seja um milagre — Haelina respondeu, voltando a cabeça para o vidro. — Você já pensou em como é estranho? Cada floco de neve é diferente.
Hyron riu suavemente, aproximando-se para ficar ao lado dela. — Só você ficaria em uma biblioteca aquecida e pensaria profundamente sobre a neve.
— E só você viria aqui apenas para zombar de mim.
Por um momento, nenhum dos dois falou. A biblioteca estava silenciosa, preenchida apenas pelo som de páginas virando em algum lugar ao longe. Lá fora, a neve continuava a cair, polvilhando as bordas de pedra em perfeito silêncio. O reflexo no vidro escuro mostrava os dois parados lado a lado. Era algo simples, mas fazia seu peito doer. Logo, seus futuros começariam. Logo, eles seriam forçados a retornar aos seus respectivos reinos, separados por vastas fronteiras e leis ancestrais.
Ela se casaria com Jace.
Hyron se casaria com Kalissa.
Todos já sabiam disso. Todos, exceto o coração dela, pareciam dispostos a aceitar.
— Você está pronta para as provas finais? — Hyron perguntou, sua voz caindo para um tom mais baixo e sério. Ele não estava mais olhando para ela. Ele observava um único floco de neve agarrado ao lado de fora da vidraça.
— Tão pronta quanto posso estar — disse Haelina, embora as palavras soassem vazias. As provas eram o último obstáculo antes da graduação. Elas deveriam testar o domínio de sua magia elemental, provando que eram aptas a governar. Mas para Haelina, as provas eram apenas uma contagem regressiva. Cada teste aprovado era um passo mais perto do fim desta vida. — E você?
— Eu sobreviverei a elas — disse Hyron, um sorriso fraco e agridoce tocando seus lábios. — Nós sempre sobrevivemos.
O silêncio retornou, mais pesado desta vez. Era o silêncio das coisas não ditas. Haelina sentiu o calor familiar de sua magia de Verão agitando-se sob sua pele, um calor inquieto que geralmente lhe trazia conforto. Mas conforme Hyron se aproximava, seu ombro quase roçando o dela, algo estranho aconteceu. Na pequena mesa de madeira ao lado da janela, uma única vela queimava em um suporte de latão. Haelina observou, com a respiração presa na garganta, enquanto a chama dourada e constante subitamente vacilava. A luz alaranjada estremeceu, tornando-se um azul pálido e gélido. Ela oscilou com uma intensidade silenciosa e congelada, lançando sombras frias sobre a madeira escura.
Haelina encarou a chama azul, seu coração martelando contra as costelas. Ela olhou para Hyron, mas ele ainda encarava a janela, com o maxilar tenso. Ele não disse uma palavra sobre a vela. Ele não reconheceu como o ar entre eles subitamente se tornou ardente e gelado ao mesmo tempo. Ambos simplesmente fingiram não notar, escondendo a verdade atrás de uma máscara de compostura real. Mas a tensão no ar era espessa, sufocante e inegável.
Um suave som de farfalhar em seu bolso a lembrou do fardo que carregava. Mais cedo naquela manhã, um mensageiro havia entregado uma carta selada de seu pai, o Rei Aurelian. Ela a enfiara no casaco, esperando ignorá-la, mas sua presença parecia uma marca de ferro quente. Haelina tateou para baixo, seus dedos tocando o pergaminho rígido. Ela o puxou lentamente, desdobrando-o apenas o suficiente para ler a caligrafia elegante e fluida que conhecia tão bem.
O Conselho do Verão chegou a um acordo com o Outono, seu pai havia escrito. Devemos garantir a aliança antes que as tempestades de inverno bloqueiem as passagens nas montanhas. A cerimônia oficial de noivado foi antecipada. Ela ocorrerá imediatamente após a sua graduação. Prepare-se, minha estrela.
Suas mãos tremeram levemente enquanto ela dobrava o papel de volta e o escondia. O futuro não estava mais esperando por ela. Ele estava correndo em sua direção, mais rápido do que ela podia fugir.
— Haelina? — A voz de Hyron era suave, carregada de uma preocupação repentina. Ele notara a mudança em sua postura, o pânico silencioso que se instalara em suas feições. — O que foi?
— Nada — ela mentiu, forçando um sorriso que não chegava aos olhos. — Apenas pensando em quanto estudo ainda temos que fazer.
Antes que Hyron pudesse pressioná-la mais, as pesadas portas de madeira da biblioteca rangeram ao abrir, e o som de risadas alegres ecoou pelo teto de arcos altos. O feitiço que os mantinha junto à janela foi instantaneamente quebrado.
— Eu disse que eles estariam aqui! — A voz animada de Kalissa ecoou pela sala silenciosa. Ela praticamente flutuou em direção a eles, sua pele bronzeada e quente brilhando contra o verde suave de seu manto de lã. Atrás dela caminhava Jace, com as mãos enfiadas casualmente no cinto, um sorriso preguiçoso e familiar no rosto. Seu cabelo escuro e cacheado estava úmido da neve, e seu colarinho estava caracteristicamente desabotoado.
— Vocês dois são sérios demais — disse Jace, passando o braço pelos ombros de Hyron com uma familiaridade rude. — É a primeira neve do ano, e vocês estão se escondendo no canto mais empoeirado da Academia.
— Alguns de nós realmente se importam em passar nas provas, Jace — Haelina provocou, a brincadeira brincalhona retornando aos seus lábios como uma segunda natureza, embora seu peito ainda estivesse apertado. Ela olhou para Kalissa, sua amiga mais próxima, e sentiu uma pontada aguda de culpa. Os olhos escuros de Kalissa brilhavam de excitação, completamente alheios aos segredos que pairavam no ar frio.
— Ah, esqueça as provas por uma noite — disse Kalissa, pegando as mãos de Haelina. Seus dedos estavam quentes, cheirando levemente à lavanda esmagada que ela sempre usava. — Estamos planejando a festa de graduação. Silas e Selene já estão montando a música no pátio, e Silas jura que encontrou uma maneira de manter a cidra quente usando pedras de lareira do Outono. Você tem que vir.
— Nós realmente deveríamos estudar — disse Hyron, embora seu tom fosse leve, combinando com a postura descontraída de Jace.
— Sem desculpas — insistiu Jace, cutucando Hyron com o cotovelo. — O futuro pode esperar até amanhã. Esta noite, nós celebramos.
Haelina olhou para os três. Jace, que fora seu companheiro leal desde que eram crianças. Kalissa, que era a irmã que ela nunca teve. E Hyron, o garoto que ela amava, mas nunca poderia ter. Eles eram uma família, unidos por anos de segredos compartilhados, risadas e lágrimas. Mas, sob o calor da amizade deles, o alicerce estava começando a rachar.
A vela sobre a mesa retornara ao seu tom dourado natural, o azul gélido desaparecera como se nunca tivesse estado lá. No entanto, enquanto Haelina permitia que Kalissa a puxasse para longe da janela, ela lançou um último olhar para o vidro. O reflexo mostrava os quatro, rindo e parados juntos, uma imagem perfeita do futuro que os reinos desejavam. Mas, enquanto a neve continuava a cair lá fora, ela sabia que a tempestade já estava chegando.
Faíscas na Geada
O aroma pesado de terra úmida e agulhas de pinheiro esmagadas preenchia os campos de treinamento ao ar livre. Acima, o céu permanecia de um cinza arroxeado, mas o frio cortante da manhã havia sido repelido pelo calor que irradiava dos anéis de combate de pedra. Fileiras de alunos se alinhavam nas barreiras de madeira, seus murmúrios subindo como va…